Seus fracassos e os outros

Gostamos de esperar ajuda dos outros, mas a questão principal é o que fazemos com as oportunidades que recebemos.

 
– Deixe aberta a porta por onde passa. Você precisará voltar mais vezes do que imagina.
– Evite confusões. As pessoas querem distância de encrenqueiros.
– Respeite o que é dos outros. Se você abusar dos bens alheios, as pessoas acharão que é “folgado”. Elas fazem contas o tempo todo e teem ciúmes até de uma ferramenta velha.
– Nunca fale mal daqueles que ajudam você, pois eles se sentirão traídos.
– Agradeça sempre. As pessoas esperam ser recompensadas.
– Trate as oportunidades como se fossem únicas. As pessoas se cansam de ajudar.
– Não seja um  “escapista”, alguém que (por meio de  devaneios, vícios etc) foge à realidade quando ela é desagradável. As pessoas não confiam em quem age assim.
– Esteja sempre trabalhando, mesmo sem salário. As pessoas ficam impressionadas ao verem você “ralando”.
– Não faça as coisas de qualquer jeito. As pessoas se irritam ao perceberem que você não deu o seu máximo, mesmo como voluntário, e imaginam que, se não faz bem determinada coisa, também não fará outras.
Em resumo, não queime as pontes depois de atravessá-las.
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Adorar, mesmo quando tudo nos diz o contrário

Por que as pessoas interrompem a adoração? Umas por conta das tribulações, outras por causa do sucesso. Alguns, por terem uma compreensão errada das Escrituras, se decepcionam; outros são atraídos pelo fascínio do mundo. Outros ainda deixam de adorar por descuido, afinal, nos feriados é que “quebramos a dieta”.

O adorador Habacuque não parou de adorar, mesmo em tempos difíceis – a exemplo de Jó. Ele também tinha um bom entendimento do Reino e das obras de Deus. Antes de abandonarmos a adoração, abandonamos a Deus. Paramos de contemplar as suas obras.

Nos movimentos históricos, Habacuque percebia o amor de Deus, o cuidado do Senhor. Era uma questão de perspectiva. Quando não vemos Deus agindo, as adversidades nos controlam.

Confie sempre na bondade de Deus, mesmo quando não compreender todo o quadro, e reafirme sua esperança na salvação que virá do Senhor. Diga como Habacuque: ainda que tudo desmorone, eu me alegrarei no Senhor.

Desapego: fonte de liberdade e expressão de culto

Lembro-me do caso de um senhor que não podia viajar mesmo que todas as despesas da viagem lhe fossem pagas. O motivo? Tinha que cuidar de meia dúzia galinhas. Isso nos faz refletir: somos realmente livres se estamos apegados a coisas ou situações?


O Senhor dedicou mais tempo e forças do que imaginamos para fazer com que nos desapeguemos. Seus discípulos poderiam ser chamados de “desapegados”, em vez de cristãos.


Por que o Senhor instituiu o sábado? Ou o dízimo? Por que tantas expressões como: “Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”(Lc 14.33)? Ele fez isso para nos indicar o caminho do desapego ou da renúncia, seja ao dinheiro, ao nosso tempo livre ou a qualquer outra coisa que valorizamos.
O desapego pode ser expressão de sabedoria, e cria o sentido de liberdade. Mas, quando acontece por Cristo, ele se torna expressão de culto. “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Atos 20.24.

Um padrão mais elevado

O capítulo 13 de I Coríntios é um dos textos mais lidos da Bíblia em todo o mundo. Lembra-se? “Se eu não tiver amor…”. Essa pérola da literatura oferece um padrão muito elevado para quem deseja crescer na vida espiritual.

Trabalhar para o bem dos outros sem exigir algo em troca, nem mesmo reconhecimento, é um desafio. Servir, motivado pela gratidão ou por obediência a um sentimento de missão, é algo encontrado somente em pessoas muito amadurecidas. A Bíblia diz que não há grande virtude em amar a alguém que pode nos recompensar.
E o que dizer de disciplinar ou confrontar alguém que amamos, mesmo com risco de não sermos compreendidos? E ofertar ou ajudar anonimamente? A virtude, segundo o Senhor, está em fazer algo que, sabemos, não nos resultará qualquer vantagem, esperando agradar apenas a Deus.

Celebração com sabedoria

Há quem faça da celebração um momento de derrota e quem transforme as comemorações em tristezas. Outros combinam alegria com bebidas e orgias, presentes com endividamento e reunião de família com gula.

Deus, que sempre deseja o nosso bem, muitas vezes não pode nos abençoar, porque associamos vitória ao erro.
Veja o exemplo de Jó: “E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente”. (Jó 1:4-5)
Faça boas associações:

  • Combine vitória… com gratidão.
  • Combine celebração… com culto.
  • Combine festa… com família.
  • Combine realização… com descanso.

Serenidade

“Quando você se assentar para uma refeição com alguma autoridade, observe com atenção quem está diante de você, e encoste a faca à sua própria garganta se estiver com grande apetite”. (Provérbios 23:1-2). Essa passagem bíblica aborda o cuidado que devemos ter diante de oportunidades, especialmente daquelas com as quais não estamos acostumados. Podemos ser traídos pelo nosso apetite, pelo nosso grande interesse. Não deixe a paixão ou o impulso guiar você – falar, comer etc. Coloque a faca à garganta, ou seja, estabeleça um limite, acenda sua luz amarela de advertência.

A Bíblia prossegue: “Não te fatigues para seres rico” (23.4). Se o texto anterior nos ensinou que não devemos querer exageradamente, este nos orienta a não fazermos esforço desproporcional, a não exagerarmos na busca das coisas que são passageiras. Há uma falta de sabedoria nisso, porque não aproveitamos o valor do tempo e, muitas vezes, não damos espaço para Deus agir.


O livro de Provérbios nos sugere a serenidade: “Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho.” (19.2) “Os planos do diligente conduzem à abundância; mas todo precipitado apressa-se para a penúria.” (21.5).

Comprometa-se virtualmente

No passado, os casamentos eram um compromisso apalavrado entre duas famílias, cristão era aquele que levantava a mão e afirmava “Jesus Cristo é Senhor” e negócios aconteciam quando duas pessoas davam as mãos e diziam: “fechado”. Eram celebrações orais. Séculos depois, os compromissos tinham que ser também “por escrito”… e os advogados multiplicaram-se pelo mundo. Agora, passamos a considerar real o que foi postado na Internet. A esposa sofre quando o marido afirma que não a ama mais, administra a situação quando ele entra com o pedido de divórcio no cartório, mas ela desiste do casamento quando ele posta na Internet que está com um relacionamento sério com a outra. No passado, quando eu precisava saber sobre o caráter de uma pessoa, eu perguntava aos vizinhos dela. Hoje, a gente faz uma consulta na Internet para ver o que está postado sobre ela.

É triste que a palavra tenha perdido parte do seu valor e devemos trabalhar para recuperar isso, mas é fato que a escrita acrescentou muito à nossa vida. Algo semelhante ocorre com a Internet.
É preciso entender que a realidade era basicamente oral; depois, oral e escrita e, agora, oral, escrita e virtual.
Compromisso é compromisso, qualquer que seja a realidade e alguns deles exigem publicidade, como é o caso do casamento e da fé.

Abandonar, conservar e conquistar

O fato é que gastamos nossas energias naquilo que nunca poderemos ter ou, mesmo que o consigamos, não o poderemos manter. “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.” Isaías 55:2

Por outro lado, perdemos a oportunidade de conservar, de consolidar o bom que já temos. Como o filho pródigo, deixamos o conforto e a segurança de nossa casa, de uma amizade sincera, de uma vida devocional que aquece nossas almas. Diz o Senhor: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”. (Apocalipse 2:4)

Enfim, deixamos de conquistar ou garantir o que já nos é possível. Recusamos ou postergamos o que é precioso e que pode fazer nossa vida mais rica: uma pessoa que nos ama e espera ser correspondida, um bom trabalho – porque a remuneração inicial não é atraente – ou a leitura de um bom livro parado na estande.

Jim Eliot entendeu isso: “Não é tolo nenhum aquele que dá o que não pode conservar, para ganhar aquilo que não pode perder”. Então, não nos enganemos, enquanto prosseguimos para o alvo, vamos deixar de correr atrás do vento, vamos restaurar e conservar o que já temos de bom e garantir o que não podemos perder.

Somos devedores

Quando observo as curtidas em uma foto da família, quando vejo as pequenas mensagens no celular – curtas, visivelmente para não incomodar -, quando faço minhas orações e, então, sou lembrado de tantos que passaram pela minha vida e me abençoaram, então percebo que sou rico e um grande devedor.

Nunca conseguiremos pagar ou devolver o que recebemos. Somos cercados por uma nuvem de amigos e  vemos apenas uma parte dela. Como as nuvens, os amigos são um mundo maior e mais denso que percebemos.  E isso não está relacionado a merecimentos; é um tipo de graça de Deus.  Claro que podemos prestar mais serviços, podemos nos esforçar para ser uma inspiração e podemos orar a Deus por eles.
Somos muito frágeis. Que seria de nossa vida sem as pessoas que nos amam?

Consequência da Fidelidade

Não creio em azar, mas que tem gente que tudo que coloca a mão dá errado, isso tem. E isso não é uma questão que podemos chamar de religiosa. A vantagem dos que temem a Deus é que ele consegue discernir que o sofrimento é passageiro e que algo melhor o aguarda.

Existe uma lei da vida que faz retornar para as pessoas conforme suas atitudes. O liberal, por exemplo, acaba se dando bem e o mesquinho se dando mal. Aquele que é fiel acaba ficando com tudo e o infiel, com nada. Não é necessário uma bola de cristal para prever a desgraça daquele que trai, engana, é ingrato etc. Por outro lado, parece que tem um anjo que cuida do fiel e dá muitas gargalhadas das trapalhadas do infiel. Bem que já disse alguém: “cuida da tua integridade, que Deus cuida da tua reputação”.

Conheço gente fiel, íntegra, de boa fé, leal. Não estou falando apenas de relacionamento conjugal. Penso que quem é fiel…é fiel, e ponto. Sabe aquela pessoa que você pode aceitar a proposta dela, mesmo parecendo uma proposta ruim? Você nunca toma prejuízo com ela.

“Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todos os rebanhos davam salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todos os rebanhos davam listrados”. (Gênesis 31:8)

Azar não existe, mas não quero ficar perto de infiéis.