Comprometa-se virtualmente

No passado, os casamentos eram um compromisso apalavrado entre duas famílias, cristão era aquele que levantava a mão e afirmava “Jesus Cristo é Senhor” e negócios aconteciam quando duas pessoas davam as mãos e diziam: “fechado”. Eram celebrações orais. Séculos depois, os compromissos tinham que ser também “por escrito”… e os advogados multiplicaram-se pelo mundo. Agora, passamos a considerar real o que foi postado na Internet. A esposa sofre quando o marido afirma que não a ama mais, administra a situação quando ele entra com o pedido de divórcio no cartório, mas ela desiste do casamento quando ele posta na Internet que está com um relacionamento sério com a outra. No passado, quando eu precisava saber sobre o caráter de uma pessoa, eu perguntava aos vizinhos dela. Hoje, a gente faz uma consulta na Internet para ver o que está postado sobre ela.

É triste que a palavra tenha perdido parte do seu valor e devemos trabalhar para recuperar isso, mas é fato que a escrita acrescentou muito à nossa vida. Algo semelhante ocorre com a Internet.
É preciso entender que a realidade era basicamente oral; depois, oral e escrita e, agora, oral, escrita e virtual.
Compromisso é compromisso, qualquer que seja a realidade e alguns deles exigem publicidade, como é o caso do casamento e da fé.
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Abandonar, conservar e conquistar

O fato é que gastamos nossas energias naquilo que nunca poderemos ter ou, mesmo que o consigamos, não o poderemos manter. “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.” Isaías 55:2

Por outro lado, perdemos a oportunidade de conservar, de consolidar o bom que já temos. Como o filho pródigo, deixamos o conforto e a segurança de nossa casa, de uma amizade sincera, de uma vida devocional que aquece nossas almas. Diz o Senhor: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”. (Apocalipse 2:4)

Enfim, deixamos de conquistar ou garantir o que já nos é possível. Recusamos ou postergamos o que é precioso e que pode fazer nossa vida mais rica: uma pessoa que nos ama e espera ser correspondida, um bom trabalho – porque a remuneração inicial não é atraente – ou a leitura de um bom livro parado na estande.

Jim Eliot entendeu isso: “Não é tolo nenhum aquele que dá o que não pode conservar, para ganhar aquilo que não pode perder”. Então, não nos enganemos, enquanto prosseguimos para o alvo, vamos deixar de correr atrás do vento, vamos restaurar e conservar o que já temos de bom e garantir o que não podemos perder.

Somos devedores

Quando observo as curtidas em uma foto da família, quando vejo as pequenas mensagens no celular – curtas, visivelmente para não incomodar -, quando faço minhas orações e, então, sou lembrado de tantos que passaram pela minha vida e me abençoaram, então percebo que sou rico e um grande devedor.

Nunca conseguiremos pagar ou devolver o que recebemos. Somos cercados por uma nuvem de amigos e  vemos apenas uma parte dela. Como as nuvens, os amigos são um mundo maior e mais denso que percebemos.  E isso não está relacionado a merecimentos; é um tipo de graça de Deus.  Claro que podemos prestar mais serviços, podemos nos esforçar para ser uma inspiração e podemos orar a Deus por eles.
Somos muito frágeis. Que seria de nossa vida sem as pessoas que nos amam?

Consequência da Fidelidade

Não creio em azar, mas que tem gente que tudo que coloca a mão dá errado, isso tem. E isso não é uma questão que podemos chamar de religiosa. A vantagem dos que temem a Deus é que ele consegue discernir que o sofrimento é passageiro e que algo melhor o aguarda.

Existe uma lei da vida que faz retornar para as pessoas conforme suas atitudes. O liberal, por exemplo, acaba se dando bem e o mesquinho se dando mal. Aquele que é fiel acaba ficando com tudo e o infiel, com nada. Não é necessário uma bola de cristal para prever a desgraça daquele que trai, engana, é ingrato etc. Por outro lado, parece que tem um anjo que cuida do fiel e dá muitas gargalhadas das trapalhadas do infiel. Bem que já disse alguém: “cuida da tua integridade, que Deus cuida da tua reputação”.

Conheço gente fiel, íntegra, de boa fé, leal. Não estou falando apenas de relacionamento conjugal. Penso que quem é fiel…é fiel, e ponto. Sabe aquela pessoa que você pode aceitar a proposta dela, mesmo parecendo uma proposta ruim? Você nunca toma prejuízo com ela.

“Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todos os rebanhos davam salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todos os rebanhos davam listrados”. (Gênesis 31:8)

Azar não existe, mas não quero ficar perto de infiéis.

Vida que entorna – Salmo 9

Todos esbarramos de leve na gratidão, mas quantos experimentamos, repetidas vezes, aquela gratidão intensa, que nos assalta e se torna um marco em nossa memória?  O salmista diz: “de todo o meu coração, eu te darei graças”.

Nesses momentos, o coração quer romper a rotina terrena e falar das coisas do alto: “Contarei todas as tuas maravilhas”.

Desprezar as alegrias rasas, da bebida forte e das noitadas, por exemplo, e nem mesmo se contentar com outras, mais apuradas, como o prazer da família reunida, de uma boa noite de sono ou de se ouvir uma boa música. Alguns vão além e experimentam o que a Bíblia chama de alegria no Espírito: “Em ti me alegrarei e saltarei de prazer”.

Por fim, adoramos, a maior experiência humana. “Tocar” um Deus infinito, com louvores, reverência, orações e abraços fraternos ao seu povo: “Cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo”.

Porque Ele disse “Eu vim para que tenham vida abundante”, nossa alma canta: “Eu quero mais e mais de Cristo”.

Toda oração é errada, algumas más

Não pedimos “como convém”temp_aabundance-300x225.jpg. Ainda bem que nossas orações sinceras chegam “revisadas” a Deus (Rm. 8.26). Mas, nossas orações podem ser também cruéis ou doentias. Podemos orar errado como uma criança que não entende bem as coisas e podemos orar errado como um adulto egoísta. “… pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”(Tg. 4.3).

Pedir corretamente é pedir o que Deus quer nos dar, o que resulta em glória para Ele. Orar corretamente é se abrir a um projeto de transformação. Orar corretamente faz converter o foco, a motivação, o objetivo principal. Como disse Richard J. Foster: “Na oração, na verdadeira oração, começamos a pensar os pensamentos de Deus à sua maneira: desejamos as coisas que ele deseja, amamos as coisas que ele ama. Progressivamente, aprendemos a ver as coisas da perspectiva divina.”

Então, orar corretamente é uma aventura, é conhecer mais a única constância na oração: Aquele que ouve nossas orações. E entramos num círculo virtuoso: conhecemos a Deus e oramos corretamente e, porque oramos corretamente,  conhecemos mais a Deus e à sua vontade.

“Eu sou o fundamento de tua súplica; primeiro, é minha vontade que recebas o que suplicas; depois, faço-te desejá-lo; e então faço-te suplicá-lo e tu o suplicas. Como, pois, não haverias de receber o que suplicas?”  (Juliana de Norwich)

Espere milagres

pescadorQuando o cobrador de impostos perguntou a Pedro se Jesus não pagaria o imposto, ele respondeu, sabendo que não havia dinheiro: “Sim, ele paga”. Pedro tinha aprendido que, andando com Jesus, veria os Céus cooperando juntamente para o bem dos amam a Deus. Pela orientação de Jesus, Pedro preferiu esperar um milagre em vez de contestar se o imposto era devido. Não deveria nos incomodar que os crentes hoje tenham tantos processos judiciais? Se a viúva do azeite fosse membro de nossas igrejas, provavelmente iria para a justiça contra seu credor. Mas ela preferiu apresentar sua causa diante de Deus. Jesus, se fosse como alguns líderes religiosos de hoje, desviaria o foco de seu ministério e iniciaria um grande debate sobre se deveria ou não pagar impostos. Não é impressionante que boa parte dos exemplos bíblicos de milagres são socorros do Céus para os crentes atenderem a exigências criadas pelos homens?
Então Pedro foi pescar…buscar o milagre.

O tropeço do fiel

tropecoHá o caído. Há o que tropeça.

O inesperado pode acontecer a qualquer um. Você vive a excelência moral, mas sofre uma fase de perversão, de corrupção; tem conhecimento, mas age com ignorância; é disciplinado, mas experimenta o excesso; é paciente, mas irrita-se, fica ansioso; participa sempre que pode, é fraternal, mas em algum momento se recusa a cooperar; assumiu o compromisso de amar, mas hoje desejou o mal de alguém. Tropeçou, quase caiu, mas isso não combina com você. Afinal, o chão não é o seu lugar.

O Senhor escreveu: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te” (Apocalipse 3.19). O Senhor não desiste de aperfeiçoar você. Thomas Fuller disse que “Um tropeço pode [servir para] evitar uma queda”, mas para que isso aconteça, não se pode deixar de aprender com as falhas. Recomece de onde parou. Sempre. Nosso Deus é o Deus de recomeços.

Lembre-se de que há uma promessa que dirige a Deus, a você e à sua caminhada: Vencer! E vencer não significa nunca cair, mas nunca desistir de levantar. Os heróis da Bíblia não foram pessoas que nunca erraram. São heróis porque, em vez de serem destruídos pelos erros, tornaram-se ainda mais dependentes de Deus. “Lembra-te (admita), pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras”.  

 

Aberrações de quem planta e colhe

Meu pai plantava e colhia milho. Eu o via usando força para, num golpe, quebrar e arrancar a espiga do pé. Ele parecia tão rude e suas mãos tão fortes! Essa imagem, entretanto, contrastava com a gentileza com que ele lidava com a pequena muda. Na verdade, ele compreendeu que cada situação exigia dele uma postura. Sem perceber, deixou para mim uma preciosa lição.

À semelhança do campo, temos funções distintas no reino, que demandam de nós os mais variados esforços, e despertam os mais diferentes sentimentos. É preciso postura. Sem ela temos roubada de nós a oportunidade de sermos abençoados, simplesmente por nos esquecermos de quem somos. A seara não é nossa. A glória também não.

Aos que colhem, é preciso o cuidado com a independência e o orgulho. Estes sentimentos surgem naturalmente, afinal, é fácil ao atacante vangloriar-se por fazer gols e desconsiderar todo o trabalho da equipe. Quando nos rendemos a eles, somos impedidos de crescer. A seara é grande e “sem Ele nada podemos fazer”. Precisamos uns dos outros. O fato de termos cumprido o nosso papel, não deve nos levar a prática leviana da política da “terra arrasada”. Devemos colher com cuidado, para que a terra continue a produzir. A vida não é apenas colheita, e só se tivermos aprendido a ver além, entenderemos que a sustentabilidade se aplica não só ao meio ambiente, mas também a relacionamentos, família e ao crescimento das igrejas.

Aos que plantam, a atenção deve se redobrar para a inveja. Sentimento comum a ponto de se indignar com os que colhem, embora este seja exatamente o objetivo da equipe. Desejam o reconhecimento. Lembro-me de um pastor no interior de Goiás que batizava muitos e, anualmente, perdia os mais talentosos para as igrejas da capital, porque iam à procura de estudos e trabalho. Quanto melhor o seu trabalho, mais ele “perdia”.

E ainda tem aquele que nem planta, nem colhe, mas ainda sente orgulho ou indignação, quando é, na verdade, apenas um vigia de armazém. A coisa fica ainda mais feia quando um começa “bater” no outro, o que,  infelizmente, ocorre com muita frequência.

Pior que tudo, imagino, é  o motivo: um sentimento inapropriado de propriedade, apenas porque plantou, colheu ou simplesmente porque o milho está temporariamente em seu armazém, mesmo sabendo que não teve qualquer poder sobre o milagre do crescimento.

Precisamos ser lembrados que nem “o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”.

A oração

Unity Church Stock Photos.jpg​Muitas orações já foram feitas ao longo da história, mas existe uma que pode ser chamada de “a oração” e foi registrada em João 17. Houve um pregador famoso que, de tanta reverência, nunca ousou pregar um sermão sobre este texto.

E o que tem essa oração de tão especial? A combinação de ser uma oração de Jesus, quando ia para a cruz, e o assunto, o maior problema do Reino: pedia para que aqueles que iriam crer nele fossem unidos.

Ele conhecia o Maligno – aquele que separa -, conhecia a natureza humana e conhecia também o poder inibidor da falta de unidade. Ele tinha ensinado que casa dividida não prospera, mas ensinar não era suficiente. O problema era muito grave. O Senhor, então, fez da Unidade seu ministério de oração e usava todas as forças para protegê-la. Paulo entendeu isso e orientou os de Éfeso a  serem guardiães da unidade.
“A Oração” revela preocupação para que todos estejam incluídos – “nenhum se perdeu”, orou Jesus. Afinal, não existe unidade real se alguém é deixado fora. Às vezes, brincávamos com nossa filha do meio, quando tinha perto de seus sete anos, dizendo que iríamos deixar para trás um dos seus irmãos. Ela abria um berreiro, esperneava e gritava como se o mundo fosse acabar. A tragédia é que nem sofremos com o que mais preocupava o Senhor.
Mas, não se trata apenas de união de propósitos, fraternidade ou solidariedade. Isso, os não crentes podem conseguir. A questão é muito mais complexa e desafiadora, é unidade no Cristo e em sua natureza. “Na Palavra, santifica-os”. O problema do Reino é a divisão dos que pertecem ao Rei. Se este for resolvido, o mundo vai crer. Equivale a afofar e preparar a terra para receber a boa semente.