Não bata em pastores

No período de Natal e Ano-novo, demonstramos nosso lado gentil. Mas não tem sido assim durante os outros dias do ano. Na rotina da vida ministerial, temos visto, com tristeza, atitudes belicosas, indelicadas e injustas para com os homens de Deus.

Alguns midiáticos gostam de bater nos pastores e nos líderes de Denominação. Isso ficou bem mais fácil com os blogs e as redes sociais; basta uma postagem, a portas fechadas. Comentam sobre a Denominação, a política e os assuntos do momento. Se os líderes emitem uma nota sobre uma tal mostra de arte, sobre uma determinada emissora de TV ou seja lá o que for, os xerifes de plantão entram em ação. Se esses mesmos líderes não agem assim, igualmente levam uma surra na Internet. Se a igreja do colega ascende, o líder apanha. Se decresce, ele apanha também. Mais cedo ou mais tarde, todos apanham. Quando morei em Conselheiro Pena, ouvi sobre um zombador que passou o dia cantarolando pelas ruas “Quem mora em Conselheiro pena; quem dorme em Conselheiro pena; quem trabalha em Conselheiro pena”. No fim do dia, cansados das piadinhas, alguns jovens agarraram o trocista num canto e deram-lhe uma surra, enquanto cantavam: “Quem apanha em Conselheiro pena”. Verdade, quem muito bate acaba apanhando…

Podemos admitir que um teórico bata em outro teórico no campo acadêmico, por exemplo, na confrontação de ideias. Difícil é ver teóricos batendo em quem está trabalhando duro. O apóstolo Paulo diria:  “Não achem que são sábios apenas porque acompanham o noticiário….” (I Cor. 3.18 – A Mensagem). Parafraseando outro dito do apóstolo, podemos afirmar: “quem não trabalha que também não critique”. E, sejamos práticos,  essa turma “pé de boi” morre pelo que entende ser a vontade de Deus. Portanto, quem realmente deseja ajudar precisa estar em nossas reuniões, opinar olhando em nossos olhos e ouvir, também, o contraditório que tanto invoca. Sejamos reverentes com quem visita hospitais, planta igrejas, leva pessoas a Jesus, administra – sem dinheiro – os assuntos da Igreja e sofre pelos desanimados. Deixemos, nesses casos, que defendam família com pai, mãe e filhos, discordem ou concordem do pastorado feminino etc.

Não bata publicamente, especialmente se você ainda não o fez em particular. Certa vez, ouvi uma denúncia contra um pastor. Perguntei à pessoa se ela estava disposta a ir comigo falar com o acusado. Diante da negativa, eu lhe disse que iria considerar a acusação uma mentira. Imagino que passou a pensar duas vezes antes de acusar outros pastores. Vamos, todos, evitar questionar as motivações dos pastores e levar muito a sério o princípio por trás da afirmação “não aceite acusação contra um presbítero se não houver duas ou três testemunhas” (I Tm. 5.19).

Claro que não devemos fazer “vista grossa” aos erros dos pastores. Muito ao contrário. Podemos confrontá-los em particular, conforme Mateus 18.15; se não funcionar, podemos fazer uma denúncia formal à comissão de ética e, se for o caso, oferecer sugestões para o aperfeiçoamento do Código de Ética. Mas, se vamos formalizar denúncias, devemos começar denunciando formalmente os belicosos, iracundos e os amantes de contendas. Estes, pelo que a Bíblia orienta, não podem exercer o ministério.

Conheço alguém que, no caso da ordenação feminina, era radicalmente defensor de um lado e, hoje, se coloca enfaticamente do outro lado. Não vale a pena bater em pessoas por causa de ideias que podem ficar desatualizadas. Um amigo meu gosta de dizer que as relações devem ser mais importantes que as razões.

Você faz parte daqueles que estão ajudando o Rei. Seus colegas também. Deixemo-nos influenciar pelo nosso chamado e pela nossa determinação de deixar um legado. Quando destacamos as belezas de nossos colegas, inspiramos outros a desejarem seguir para o ministério. Quando os criticamos, fazemos o contrário. E, por favor,  nunca critiquemos um pastor perto de seus filhos ou de suas ovelhas, ou em qualquer meio a que eles possam ter acesso.

Vamos reler nossas postagens e conferir se há chamadas para a devoção sincera, se elas destacam como é linda a Igreja do Senhor e como é nobre o ministério, se exaltam a importância de missões, da fraternidade, da unidade ou se encorajam quem está “ralando” muito.

Participando de perto das turmas de mentoria, observo que, em qualquer pequeno grupo de pastores que convivem por apenas oito dias, eles acabam se tornando bons amigos. As diferenças são reduzidas e/ou compreendidas. A verdade é que somos mais cúmplices do que aparentamos nas redes sociais. Por vezes, estamos brigando como brigávamos quando crianças, até que um menino malvado da vizinhança vinha e batia em nosso irmão caçula. Então, as nossas diferenças eram esquecidas.

“Seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão (Romanos 14:13). “Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama ‘hoje'” (Hebreus 3:13).

Juracy Carlos Bahia (Quando presidente da OPBB)

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