Ex-quase-tudo-de-ruim

Havia um homem endemoniado. Já não tinha casa, roupas, relacionamentos; estava destruído, destroçado, um pária. Então, teve um encontro pessoal com o Senhor Jesus. Agora, estava sentado aos pés do Senhor, com uma nova natureza e uma fé muito viva, liberto e curado. Como  os bons psicólogos descreveriam este momento de sua vida: tão cheio e tão vazio? Ele estava refeito, mas não tinha família, planos, ocupação, instrução, amigos e tantos outros valores que compõem a vida.

Por medo de os demônios voltarem ou por não ver outra opção, ele solicita permissão para seguir com o Cristo, o que lhe foi negado. Jesus o manda de volta para a sua terra, seus conhecidos e lhe dá uma missão: falar a todos sobre a experiência que viveu e celebrar a gratidão.

É mais fácil viver a fé longe dos conhecidos? Claro que é um desafio ser um cristão para os filhos, o cônjuge, os pais, os amigos que nos conhecem de verdade. A gente não consegue enganar os que vivem muito próximo. Conheço pais que são uma porteira, mas são respeitados pelos filhos, porque conseguem ver algo precioso atrás da grosseria. Vejo também pessoas muito gentis, que não levam ninguém a Cristo, exatamente porque seus amigos percebem algo muito triste atrás da meiguice deles.

Claro que Jesus comissionou esse ex-quase-tudo-de-ruim aos seus parentes, mas acredito também no contrário. Jesus sabia que seu novo serhumano, como uma criança, precisava de abraços, aconchego, referências de família e tanta coisa bonita da vida, até mesmo das pequenas brigas do dia a dia. A vida devocional não se dá no mosteiro, mas na rotina cheia de altos e baixos, vitórias e derrotas, alegrias e tristezas.

Esse novo convertido apenas não poderia esquecer de uma promessa de seu Curador, Salvador e Senhor: “Eis que estou com você todos os dias”.

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