É melhor ter medo

A Igreja tinha convencionado que todos entregariam seus bens a uma comissão que redistribuiria tudo para que ninguém tivesse necessidade. Tudo estava indo bem, até que um casal, Ananias – o nome quer dizer “O Senhor é gracioso” – e sua mulher,  combinaram esconder uma parte de seus bens. Como aquele acordo tinha sido feito solenemente diante de Deus, o homem caiu morto diante do altar, no momento que entregou a oferta. Três horas depois chega a mulher dele, Safira. O apóstolo Pedro dá a chance para ela consertar a coisa, mas ela confirma a versão do marido e também morre (Atos 5.1-11). Difícil de acreditar? A Bíblia está cheia de histórias assim. Tema a Deus para preservação de sua vida. Sim, quem teme vive mais. Elimine o medo, e você morre rapidinho. Pergunte a Ananias que ele confirma. Sabedoria é fazer cálculos, analisar a realidade e evitar o mal, e o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.  O louco diz: não há Deus. Falta-lhe medo. O Deus que responde com fogo é o mesmo Deus que se apresenta como Cristo e não devemos colocar sua paciência à prova como os israelitas fizeram e, por isso, muitos foram destruídos. “Tudo isso aconteceu com os nossos antepassados, e foi escrito, a fim de nos servir de exemplo e aviso” (I Co 10, tradução livre). Temer a Deus também nos faz melhores adoradores. Você reconhece que tudo, na verdade, pertence a Deus e sua vida fica mais cheia de gratidão.  Achar que somos donos das coisas estraga o nosso culto. O rei Davi disse: “Do que é teu to damos” (I Cr 29.14). Você não guardaria algo que pertence ao Al Capone, o Poderoso Chefão, então, por que guardaria algo que o Todo Poderoso entende ser dEle? (Mal. 3). Em terceiro lugar, tenha temor para aproveitar o tempo e se tornar uma pessoa melhor. Aprenda com a mulher do Ananias. Ela teve três horas a mais, mas isso não adiantou nada; teve o mesmo destino do marido.  O fato de não estar sendo castigado por erros cometidos não significa que você escapou, que Deus não viu ou não se importou.  Às vezes, a Compaixão nos concede um tempo extra por acreditar que podemos melhorar ou buscar o arrependimento. Que a gente erra, não se discute, mas é loucura carregar pecados não confessados. Isso é uma roleta russa. Lembre-se que antes do Tsunami a praia fica calma e antes do fim do mundo se falará de paz. Com Deus, só há esperança para quem se arrepende. O Senhor ensinou: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele (Mateus 5:25). Ainda mais se este adversário for o próprio Deus. Por fim, divulgue que o temor é devido a Deus. O caso de Ananias foi no culto público, mas hoje, neste tempo da religião “politicamente correta”, quando alguém erra feio, não é advertido e, se o é, recebe uma palavra cheia de descontos, no secreto do gabinete, para não ser constrangido. O apóstolo Paulo ensinou a Timóteo: “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor (1 Timóteo 5:20). O Temor deve ser publicado, para preservação, para adoração e para santificação. Claro que o medo, como qualquer outro aspecto natural da vida, pode ser prejudicial, quando em excesso. O doente tem medo de tudo, do escuro, de andar no elevador etc. A esses, a Compaixão trata com carinho. Entretanto, o maior problema de nossa sociedade não é o medo de Deus, é a falta dele.  Quem deve sofrer uma reflexão é aquele que teme a tudo, menos a Deus. Defende que não se pode falar em medo, porque isso traumatiza as pessoas, mas quando leva os filhos à praia, não deixa de advertir sobre os perigos do mar. Tema e viva. Tema e adore. Tema e seja melhor. Tema e ensine a temer. Com Deus não se brinca. Para refletir 1) Leia e comente o Salmo 96 2) Em que sentido temer a Deus poderia ser algo negativo? 3) Comente essas palavras do Senhor Jesus: “E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.
Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei”. (Lucas 12:4-5)

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O que todos precisam saber… e o que não precisam

Falamos coisas que não devem ser ditas. Coisas que devem ser guardadas em segredo, que são da privacidade, do relacionamento íntimo. Guardamos, por outro lado, coisas que precisam ser reveladas, que recebem um carimbo dos céus: “Publique-se”.

Guarde segredos. A reverência faz parte da vida. “Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai” (Levítico 18:8). Semelhantemente acontece na vida, na natureza, nas obras de Deus. Uma mulher oriental ficou estarrecida ao ver a aceleração de um filme do crescimento de uma planta. Ela entendia que o crescimento não era para ser visto, que a intimidade da planta foi violentada. Quando você fizer o bem, por exemplo,”não saiba a sua mão esquerda o que faz a mão direita”, ensinou o Senhor.

Compartilhe. Alguns compromissos só são compromissos quando publicados. O casamento, nossa opcão por Cristo, o Evangelho, são bons exemplos. “E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus” (Lucas 12:8). Precisamos tornar público, quando Deus ou a natureza assim o exige, quando minha alma pura o deseja, quando é para o bem dos outros. Também devemos divulgar algo que sirva para testemunho, para inspirar, quando é feito pelos outros.  Evangelho é anúncio, é proclamação, e os discípulos são mensageiros.

Não inverta a ordem das coisas. Jesus nos orienta a confrontarmos o irmão em particular; nós o confrontamos em público; mandou que não fizéssemos alarde com nossas orações, nós gostamos de orar até na TV (Não é algo estranho orações num programa gravado?). Por outro lado, somos tímidos, às vezes covardes, quando precisamos dar publicidade ao que todos precisam saber.  “Louve-te o estranho, e não a tua boca’ e fiquem satisfeitos quando esse estranho tenha o bom senso de ficar calado” (Spurgeon). A inversão do público/privado parece obra do Diabo.

Descubra o valor do tempo. E tudo que precisa ser revelado tem o seu tempo devido. Publicar fora do tempo pode ser tão ruim quando publicar o que deve ser guardado. Os demônios queriam anunciar o Cristo, mas foram repreendidos. Não era a hora ainda. É um grande desafio segurar uma notícia boa para ser divulgada também no momento bom.

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29). “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Provérbios 25:11).

Ordem ou determinação?

Há uma diferença entre “uma ordem para anunciar o Evangelho” e “uma determinação para que todos ouçam”? “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mt 24.14). Parece que temos aqui algo mais que uma ordem de Deus, o que já não seria pouco.

Todos ouvirão, independente de nossos lábios, pois o próprio Deus trabalha para que sua ordem se cumpra. “E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (Atos 2:5-6). Esse anúncio foi também vinculado à volta de Cristo, outra grande ação de Deus em curso. Quem não coopera fica parado numa área onde Deus está trabalhando.

Compartilhe por vocação.  Uma vez nascidos de novo no Evangelho, a missão de anunciar está incorporada à nova natureza, é uma questão de identidade do crente e da Igreja. Podemos ter dons e estilos diferentes, mas “não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (Atos 4:20). Seria um tipo de aberração. “E, indo, pregai” (Mt. 10.7).

Compartilhe por compaixão.  A ordem de Deus é a única boa alternativa para o destino eterno do homem. “Será salvo”. Uma vez alvos desse amor e sabendo que todos podem ser beneficiados eternamente, deixar de anunciar precisa ser classificado como maldade. “Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá (2Reis 7:9).

Compartilhe por justiça.  Por fim, o anuncio do Evangelho é também um ultimato. Será pregado “Em testemunho de todas as gentes “. O Salvador é possível a todos, e exige uma resposta.   “E em nenhum outro há salvação” (Atos 4:12).  “Por isso o texto de Romanos 10 diz: “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm. 10.8-10)

Vemos, então, uma determinação de Deus, uma missão e vocação do crente e um ultimato ao descrente.

Para reflexão e debate:

1) Falta de compromisso com o anúncio do Evangelho é um sinal de falta de conversão?

2) Você concorda que a grande maioria do milagres narrados no Novo Testamento estão relacionados ao anuncio do Evangelho e não a fazer as pessoas prósperas?

3) Que texto bíblico você destacaria para fundamentar a tese de que Deus determinou no seu coração que todos ouvirão o Evangelho?

4) Você acha que o compromisso do Congresso de Lausane – “Evangelho todo, para o homem todo e para todos os homens” – expressa bem o texto de Mateus 24.14?

Advertências do Túmulo Vazio

Todos precisam saber que o Cristo ressuscitou.  Seria um despropósito deixar de falar sobre o evento mais importante de todos os tempos, da principal prova da divindade de Cristo e do diferencial de todas as outras religiões, o centro da mensagem cristã. A morte foi vencida. Até a natureza reagiu fortemente, e pelo menos três fortes advertências ecoaram daquele túmulo vazio. Sim, a ressurreição de Cristo foi e continua sendo também uma advertência: “Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (Atos 2:36 ARC)

Firme seus olhos nos céus. Parece que nossa tendência em olhar para baixo, para o terreno e para o temporal é mais forte do que imaginamos. A pergunta do anjo em Mateus 28 foi: “por que você procura o corpo morto de Jesus? Ele não está aqui. Ele ressuscitou”. Os Puritanos oravam: “Ó Deus, firma meus olhos na eternidade”. Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (Colossenses 3:1-4 ARC)

Assimile a Ressurreição experimentalmente.  Não basta saber historicamente. Páscoa com votos de felicidades, de troca de presentes e chocolates vale tanto quanto uma boa festa de amigos. Os discípulos experimentaram a ressurreição. O ressuscitado disse: “Apalpai-me e entendei” (Lucas 24.34). João escreveu: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam—isto proclamamos a respeito da Palavra da vida. A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada” (1 João 1:1-2 NVI). As emoções das testemunhas borbulhavam, sentiam alegria, sentiam medo. Elas abraçaram os pés do Cristo. Elas tocaram em Deus.  Irmão meu,  quero ouvir você falando de Páscoa, se você estiver vindo do Sepulcro.

E entenda que a morte não será o seu descanso. O anjo disse às mulheres que elas não deveriam ter medo “porque eu sei que vocês procuram o Cristo”. Mas o anjo não disse isso aos guardas que iriam divulgar mentiras sobre a ressurreição. Eles deveriam, sim, ter medo.  Você acha mesmo que poderá negar o Cristo, fazer todo tipo de barbaridade ou derrubar um avião cheio de gente e simplesmente morrer depois? Esta semana fiz um exame no hospital, mas quando eu acordei da anestesia, ainda tinha contas para pagar. Não, a morte não será o seu descanso. Está destinado a você morrer uma vez, mas você vai acordar para ser julgado. A ressurreição de Cristo prova que existe ressurreição (1 Coríntios 15:14) e isso deve ser conforto para alguns e terror para outros. A morte pode não ser a sua pior notícia.

Para reflexão:

1) Como se interpreta, à luz do texto acima, a expressão de João 20.30? “Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele.

2) Como você interpreta a frase dos puritanos: “Ó Deus, firma meus olhos na eternidade”?

3) Qual a sua interpretação de Lucas 24.34? (“Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles”)

 

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Deus nos deu mentes por uma razão

Conseguimos estragar quase tudo o que Deus fez para o nosso benefício, inclusive a habilidade de meditar. Deixamos de ser plenos como seres humanos quando nos recusamos a refletir da maneira adequada. Uns resumem este dom a observar calmamente uma obra de arte ou ouvir uma boa música. Outros a utilizam inadequadamente, por exemplo ao maquinar o mal, tornando-se inimigo da vida. E há ainda os que distorcem o seu uso natural, exagerando o seu uso e excluindo o Criador, transformando-a numa forma de idolatria.

Medite para relacionar-se melhor com a vida e com os outros. Podemos praticar meditação como expressão de sabedoria. Os textos de sabedoria nos ensinam a fazer cálculos, examinar bem a realidade, não precipitar nas palavras e ações e a buscar sempre aprender mais: “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria “. (Eclesiastes 7:4).  A mensagem é óbvia: na casa de luto reflito sobre a realidade da vida e da morte, enquanto na casa de festa, me volto para o entretenimento, me distraio e deixo de pensar. Quem medita evita muitos males para si e para o próximo: “Laço é para o homem dizer precipitadamente: É santo; e, feitos os votos, então refletir”. (Provérbios 20.25).
Medite para relacionar-se melhor com Deus. Podemos oferecer meditação como adoração, na oração, na leitura bíblica (Josué 1.8), no culto – que é recapitular a salvação -, e na reflexão sobre os atributos de Deus e suas obras. O Salmo 19 merece ser lido novamente, com destaque para o verso 14: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!”
Medite para relacionar-se melhor com você mesmo. Podemos sofrer a meditação para purificação, como ocorre, por exemplo, na sempre dolorosa experiência do arrependimento. Paulo instrui os crentes: “examine-se, pois, cada um a si mesmo” (I Coríntios 11.17-34), ou seja, coloque o seu coração no banco do pensamento, converse com sua própria alma. O Salmista orava dizendo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos”. (Salmos 139:23).

Para reflexão:

1) Qual prática é mais eficaz?

  • pedir a Deus que fale ao seu coração pela oração e Palavra
  • ficar muito tempo exposto à Palavra de Deus
  • fazer anotações durante sermões, orações e leituras bíblicas

2) Como podemos nos tornar mais sensíveis a impressões específicas de Deus?

3) Qual a relação entre o texto e  Romanos 12.2? (“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”)

4) O que você acha da expressão: “…nós precisamos pensar, a fim de sermos santos…”

P.S.

a) O título e a expressão da reflexão #4 foram retirados de um artigo de Joel Beeke, no livro “Amado Timóteo”; b) Compartilhe se ajudou. Comente para melhorar o texto. Siga, se deseja receber novas postagens por email.