Anjos procuram diamantes na terra

Há situações em que Deus vincula suas ações à intercessão: “o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura” (Jó 42:8). Sodoma não seria destruída se tão somente estivessem nela dez crentes sinceros, mesmo que não fossem pregadores. Parece que os anjos andam pelo mundo procurando intercessores, como se fossem diamantes raros.

“diamante”A história registra poucos achados. Abraão lutou com Deus para poupar Sodoma e Gomorra, Moisés não deixou que Deus destruisse seu povo e Neemias confrontou Deus em favor dos seus. Os intercessores eram tão raros que Deus declarou: “busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei”. (Ezequiel 22:30). Então Cristo veio, tornou-se O Intercessor e instituiu a Igreja como um reino sacerdotal.

Multidões fazem passeatas, lutam com os homens pelos homens, mas precisamos desesperadamente de crentes que lutam com Deus. E mesmo quando achamos alguém que interceda por nós, essas orações se concentram em questões terrenas como emprego, cura etc. Quando foi que alguém orou por mim para que os meus pecados fossem perdoados ou que a influência de Satanás seja reprimida em minha vida?

O clamor de Ezequiel 22.30 enfatiza ainda a necessidade de objetividade na intercessão: “para que não seja destruído”. O problema é o pecado e uma iminente destruição, mas as nossas orações continuam sendo por confortos temporais. Quando quatro amigos levaram um homem a Jesus para ser curado da paralisia, Jesus, ao dizer “Os teus pecados estão perdoados”, deixou claro que o foco dos amigos crentes estava errado .

O intercessor é o diamante mais raro e mais procurado pelos céus. Bem disse Leonard Ravenhill: “Deus levantou um homem; não uma comissão, nem uma nova denominação, nem um anjo, mas um homem, com sentimentos semelhantes aos nossos. Deus procurou entre eles um homem, não para pregar, mas para se colocar na brecha. E, como Abraão fizera antes, agora Elias estava na presença do Senhor. O resultado foi que tempos depois o Espírito Santo pôde escrever a história dele com apenas duas palavras: “E orou”. Isso é tudo que uma pessoa pode fazer para Deus e para a humanidade. Se a igreja hoje contasse com tantos intercessores quantos são seus conselheiros, teríamos um avivamento dentro de um ano.” (Porque tarda o avivamento)

São dois, e sucessivos, os gargalos limitadores para a expansão do reino de Deus: baixos níveis de intercessão e falta de unidade dos crentes. Entretanto, rompido o primeiro, o segundo se romperia também, afinal, ninguém ora por uma pessoa por quem não se importa.

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Marcos de Compromisso

Era um momento de crise na vida de Jacó. Quando fugia do irmão, viveu uma experiência marcante com Deus. Num sonho, Deus reafirma suas promessas e garante: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gênesis 28:15). Jacó, então, pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, entornou azeite sobre ela e a transformou num marco de compromisso. Fez uma espécie de juramento para si mesmo e aos céus. Se a sua jornada fosse abençoada, ele serviria a Deus e daria o dízimo de tudo. A pedra ungida era agora um marco para não se esquecer da experiência vivida.

O passado nos empurra, positiva e negativamente, individual e coletivamente. Até mesmo os melhores momentos da vida e os compromissos firmados podem perder a sua força motivadora sobre nós, mesmo sendo pessoas de caráter, sabedoria e fé.

Além da rotina devocional, precisamos de experiências com Deus que nos levam a grandes decisões de vida. Elas ocorrem com maior frequência quando da exposição à Palavra de Deus, na oração e na atitude de desapego. Esses encontros impulsionam nossa caminhada, como a base de um foguete empurra a cápsula para cima. Podem ser desejados e buscados, mas muitas vezes são provocados pelo próprio Deus.

Uma vez extraordinários, devem ser protegidos por marcos, para causarem um novo impulso, cada vez que lembrados e celebrados.  É relevante o fato de, vinte anos depois, Jacó, passando por outra crise, sente, de Deus, orientação para voltar e tocar nessa pedra-marco (Gênesis 31.13). Precisamos fazer a manutenção dos pontos que marcaram nossas vidas, incluindo, e especialmente, aqueles que marcaram nossa vida espiritual. Por isso repetimos nosso testemunho e celebramos a Ceia do Senhor. Cabe a cada um de nós guardar essa “memória”. Como esquecer um pacto com Deus, se Ele ainda continua comprometido?

A Igreja de Éfeso tinha sofrido uma queda espiritual, mas ela tinha “Um primeiro amor” para onde voltar. Criticamos o irresponsável filho pródigo, mas ele tinha uma imagem que não lhe saia da cabeça: “na casa de meu pai há abundância de pão”. Lowell Bayley quando questionado sobre o segredo de tanto vigor, sendo já tão idoso, respondeu: “Percebo que Deus renova, de tempos em tempos, os meus desafios.”

Viva experiências com Deus que possam empurrar você bem alto. Faça marcos que impeçam que sejam esquecidas e cuide desses marcos para que não se percam com as mudanças que o tempo causa em quase tudo.

Perguntas para reflexão

  1. Que experiências você viveu com Deus que marcou sua vida para sempre?
  2. O que podemos fazer para preservar o impácto positivo que nossas grandes experiências com Deus nos causaram?

P.S.
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Expressões de compromisso

Vivemos tempos de apostasia, mas quebra de compromisso sempre existiu, e Deus odeia isso. Odeia ver a desilusão e a mágoa de mulheres abandonadas depois de ouvirem durante anos promessas de amor eterno; de pastores, que caminham lado a lado no discipulado e oração em favor de uma ovelha, que jura amizade e gratidão, mas que se muda sem dar um telefonema; ou a indignação de uma vítima nos corredores da justiça, que tenta recuperar o estrago de um negócio realizado com uma pessoa ou empresa sem escrúpulos.

O compromisso pode ser assumido de forma voluntária ou imposto por convenções, autoridades ou necessidades, mas independente da sua construção, exige responsabilidade. Simboliza uma disposição pessoal de se vincular, de se engajar, de pagar o preço necessário, muitas vezes com renúncia e sacrifício. O compromisso sustenta a amizade, o casamento, a igreja, e revela muito sobre as pessoas que o celebram.

O compromisso pode ser expressão do caráter. Na falta desse traço, a pessoa não serve como soldado, nem como profissional,  nem como crente e nem para relacionamentos. Questiono para que serve uma pessoa que não assume ou cumpre compromissos. Até os cachorrinhos mostram fidelidade. Nossa sociedade parece produzir cada vez mais pessoas que gostam de cantar “Eu já sei namorar…não tenho juiz…eu quero é ser feliz”. No bife a cavalo, são o cavalo, que oferece apenas o nome. Elas usam as coisas, os outros, a vida. Se você pediu parar ser membro de uma igreja ou para trabalhar numa empresa ou para ser amigo ou cônjuge de uma pessoa e não se mostra comprometido, você precisa questionar se não tem um problema de caráter ou a falta dele.

O compromisso é uma expressão de sabedoria. Sim, aquele que se compromete, pode comprometer-se mal, comprometer-se excessiva ou superficialmente ou com algo pouco nobre, com o capricho de pessoas, por exemplo.Há gente mais comprometida com cães, gatos e árvores que com os pais, a Igreja ou o Criador. O Senhor confrontou os religiosos comprometidos com o lavar as mãos antes das refeições e desvalorizavam a essência da Palavra de Deus. Um compromisso pode ser infantil, tolo, exagerado, inadequado ou mesmo maligno. E, nestes tempos da multiplicação da informação com a Internet, precisamos ser mais rigorosos na seleção, comprometendo-nos menos para comprometermo-nos melhor. Não basta dizer que assume e cumpre compromissos. Temos que ter caráter, mas também sabedoria.

É um desperdício esperar do compromisso somente o que o caráter e a sabedoria podem oferecer. Isso é básico, mas o compromisso será também uma expressão de fé. Quando me relaciono com o Deus da Bíblia, sou capaz de comprometer-me a um nível mais elevado, mais ousado. No que diz respeito ao compromisso, Abraão sacrificou seu filho, porque acreditou na palavra de Deus, que de Isaque sairia uma grande nação. Tomando a armadura de Deus, eu me encorajo para enfrentar o Diabo e os dias maus (Efésios 6.10-14). Assim como não se recebe o pleno perdão sem perdoar, também não se conhece o poder do compromisso sem acreditar num Deus que nunca falha. O verdadeiro conceito de compromisso só fará sentido na relação com o Cristo.

Feliz o homem de caráter, moldado pela Palavra de Deus e inspirado pela fidelidade de Deus.

 

P.S.
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A eficácia de uma vida de oração

Imagine duas pessoas exatamente iguais vivendo em condições exatamente iguais. Se isso fosse possível e apenas uma delas praticasse uma vida de oração, no final, qual seria a diferença? Não me refiro a uma oração específica, embora ela também possa ter o seu impacto. Refiro-me a oração como estilo de vida, conforme o próprio Senhor Jesus nos ensinou a buscar: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. A verdade é que quando nos lançamos a essa prática, nossa vida jamais será a mesma. Mudamos.

E a primeira mudança se revela ao proporcionar conhecimento de Deus por experiência pessoal. “Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem.” (Jó 42.5). Até mesmo o estudo das Escrituras, com todo o seu valor, se torna incompleto sem a unção do relacionamento. Esse conhecimento-relacionamento muda tudo o que é percebido! Resignifica sua história. Vejo isso especialmente nos momento de grandes sofrimentos. Quando vou, por exemplo, a um velório de pessoas que oram, percebo tristeza; quando vou ao velório de quem não ora, percebo desespero.

A segunda se verifica na transformação continuada de nosso ser. O chamado ao discipulado é um chamado para estar com Cristo (Mc. 3.14; At. 4.13). Através de nossos relacionamentos, nós vamos sendo modificados “como o ferro que com o ferro se afia”, mas na oração, Deus nos transforma pessoalmente. Enquanto conversavam, Deus disse a Abraão: “A partir de agora o seu nome não será mais Abrão, mas Abraão”. Claro que Deus não estava mudando apenas o nome de um homem que orava. Na oração, Deus “coloca a mão na massa” e vai fazendo a gente ficar parecido com o “projeto original”, Jesus. Você sente que ainda falta algo? Então ore mais. “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”(Tiago 1:5). Ouvi de um homem que foi muito injustiçado. Ele comprou um revolver para matar quem o prejudicou. Foi para casa orar, como era seu costume. Era apenas os dois, ele e Deus. Depois de uma enorme luta, foi tomado pela graça de perdoar. No dia seguinte, devolveu o revolver e seguiu sua vida. Deixamos de nos tornar tanta coisa boa ”Só porque nós não levamos tudo a Deus em oração!” (Cantor Cristão, 155).

A terceira mudança experimentada por uma vida de oração é o poder, a autoridade, o brilho nos olhos. Posso ser apenas um corpo andante ou posso ser um gigante de fé. A ordem do Filho do Homem é não sair de casa sem poder (Atos 1.8). A oração aumentará o poder de sua vida e de seu ministério. “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7-8). “Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”. (Atos 4:13).

Por fim, uma vida de oração muda nossas prioridades, e nos envolve na agenda de Deus. Se eu frequentar o gabinete do prefeito, não serei envolvido por seus assuntos e movimentos? Também, se eu permaneço com Deus, ouvirei coisas altas e grandes que nunca tinha ouvido antes, coisas do tipo: “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” (Ezequiel 22:30). Estamos demasiadamente envolvidos com projetos pessoais.

Então, com a oração mudamos, e definitivamente tornamos nossa vida relevante e eficaz, através:
– Do relacionamento – onde Deus se revela a mim;
– Da transformação – onde Deus trabalha em mim;
– Do empoderamento – onde Deus trabalha através de mim;
– Do envolvimento – onde Deus trabalha comigo.


P.S.
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