Compromisso público

No passado, os casamentos eram um compromisso apalavrado entre duas famílias, cristão era aquele que levantava a mão e afirmava “Jesus Cristo é Senhor” e negócios aconteciam quando duas pessoas davam as mãos e diziam juntas: “fechado”. Eram celebrações orais. Séculos depois, os compromissos tinham que ser também “por escrito”… e os advogados multiplicaram-se pelo mundo. Agora, passamos a considerar real o que foi postado na Internet. A esposa sofre quando o marido afirma que não a ama mais, administra a situação quando ele entra com o pedido de divórcio no cartório, mas ela desiste do casamento mesmo é quando ele posta na Internet que está com um relacionamento sério com a outra. No passado, quando eu precisava saber sobre o caráter de uma pessoa, eu perguntava aos vizinhos dela. Hoje, a gente faz uma consulta na Internet para ver o que está postado sobre ela.

Adianta pouco ficar espantado. É triste que a palavra tenha perdido parte do seu valor e devemos trabalhar para recuperar isso, mas é fato que a escrita acrescentou muito à nossa vida. Algo semelhante ocorre com a Internet.

É preciso entender que a realidade era basicamente oral; depois, oral e escrita e, agora, oral, escrita e virtual.

Compromisso é compromisso, qualquer que seja a realidade e alguns deles exigem publicidade, como é o caso do casamento e da fé.

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Serenidade

Declarações finais do livro dos Provérbios contrariam o discurso religioso moderno acerca da busca do sucesso e da prosperidade: “Quando você se assentar para uma refeição com alguma autoridade, observe com atenção quem está diante de você, e encoste a faca à sua própria garganta se estiver com grande apetite”. (Provérbios 23:1-2). Essa passagem bíblica aborda o cuidado que devemos ter diante de oportunidades, especialmente daquelas com as quais não estamos acostumados. Podemos ser traídos pelo nosso apetite, pelo nosso grande interesse. Não deixe a paixão ou o impulso guiar você falar, comer etc. Coloque a faca à garganta, ou seja, estabeleça um limite, acenda sua luz amarela de advertência.  

A Bíblia prossegue: “Não te fatigues para seres rico” (23.4). Se o texto anterior nos ensinou que não devemos querer exageradamente, este nos orienta a não fazermos esforço desproporcional, a não exagerarmos na busca das coisas que são passageiras. Há uma falta de sabedoria nisso, porque não aproveitamos o valor do tempo e, muitas vezes, não damos espaço para Deus agir.

O livro de Provérbios nos sugere a serenidade: “Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho.” (19.2) “Os planos do diligente conduzem à abundância; mas todo precipitado apressa-se para a penúria.” (21.5).

 

Celebração com sabedoria

Há quem faça da celebração um momento de derrota e quem transforme as comemorações em tristezas. Outros combinam alegria com bebidas alcoólicas e orgias. Mesmo pessoas de bem costumam combinar presentes com endividamento e reunião de família com gula.

Deus, que sempre deseja o nosso bem, muitas vezes não pode nos abençoar, porque correríamos para o pecado, associando vitória ao erro.

Veja o exemplo de Jó: “E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente”. (Jó 1:4-5)

Faça boas associações:

  • Combine vitória… com gratidão.
  • Combine celebração… com culto.
  • Combine festa… com família.
  • Combine realização… com descanso.

Um padrão mais elevado

O capítulo 13 de I Coríntios é um dos textos mais lidos da Bíblia em todo o mundo. Lembra-se? “Se eu não tiver amor…”. Essa pérola da literatura oferece um padrão muito elevado para quem deseja crescer na vida espiritual.

 Trabalhar para o bem dos outros sem exigir algo em troca, nem mesmo reconhecimento, é um desafio. Servir, motivado pela gratidão ou por obediência a um sentimento de missão, é algo encontrado somente em pessoas muito amadurecidas. A Bíblia diz que não há grande virtude em amar a alguém que pode nos recompensar.

E o que dizer de disciplinar ou confrontar alguém que amamos, mesmo com risco de não sermos compreendidos? E ofertar ou ajudar anonimamente? A virtude, segundo o Senhor, está em fazer algo que, sabemos, não nos resultará qualquer vantagem, esperando agradar apenas a Deus.

Desapego: fonte de liberdade e expressão de culto

Lembro-me do caso de um senhor que não podia viajar mesmo que todas as despesas da viagem lhe fossem pagas. O motivo? Tinha que cuidar de suas galinhas. Isso nos faz refletir: somos realmente livres se estamos apegados a coisas ou situações?

O Senhor dedicou mais tempo e forças do que imaginamos para fazer com que nos desapeguemos. Seus discípulos entenderam essa mensagem, e poderiam ser chamados de “desapegados”, em vez de cristãos.

Por que o Senhor instituiu o sábado? Ou o dízimo? Por que tantas expressões como: “Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”(Lc 14.33)? Ele fez isso para nos indicar o caminho do desapego ou da renúncia, seja ao dinheiro, ao nosso tempo livre ou a qualquer outra coisa a que demos valor.

O desapego pode ser expressão de sabedoria, e cria o sentido de liberdade. Mas, quando acontece por Cristo, ele se torna expressão de culto. “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Atos 20.24.

O beijo da noite

Boate Kiss, a casa noturna que deu um beijo no Brasil às vésperas do carnaval 2013 e provocou muitas reflexões e reações.

– “Quadra de Escola de Samba é interditada” (O Globo, 01-02-13)

– “Mais de 20 municípios já cancelaram carnaval em razão de tragédia no RS” (O Globo, 01-02-13)

– “Em luto, clubes cancelam carnaval em Santa Maria” (Estado, 01-02-13)

Por conta dos meios de comunicação, nós também “fomos” à Boate Kiss nesses últimos dias… para chorar, para interceder e para aprender. Uma mesma casa tornou-se casa de alegria e casa de luto.

Muito triste que vários erros tenham levado a essa tragédia. Pior ainda é deixar de aprender com ela. “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos, na casa da alegria”. (Eclesiastes 7.4)

Também devemos evitar julgar os outros. “Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (Lucas 13.2-3)

Força limitada quando mais se precisa

“Se perdes a coragem diante das dificuldades, é porque a tua força é fraca”. (Pv. 24.10). Ou

seja, “Se você vacilar em momentos de dificuldade, quão pequena é a sua força!”.

O texto diz que precisamos entender que a realidade inclui dificuldades e é exatamente nesses momentos que mais precisamos ser fortes. Os problemas não se resolvem com mágica.

O texto diz também que devo vigiar e acumular forças. Chegará o dia em que precisarei de forças extras, e elas deverão estar à disposição.

Por fim, o texto fala sobre a importância de não desistir, ou seja, desenvolver uma atitude de

perseverança. Uma determinação do ser para não entregar os pontos.

Isso se aplica em toda a nossa vida: em nossas finanças, nossos relacionamentos, até mesmo

em nossa condição física ou emocional.

Há um caso bíblico que ilustra bem esta verdade. José do Egito disse: “Deus me fez prosperar na terra da minha aflição” (Gn. 41.52). É certo que você terá problemas, e graves. Eles poderão derrubar você ou fazer você mais forte ainda. Tudo depende de como as dificuldades são encaradas.

Dicas para o uso da Internet, especialmente do Facebook

 1) Ao observar um irmão postando ou compartilhando algo inadequado, atue como missionário e chame a atencão dele para o perigo. Seja o sal de Marcos 9.50 no espírito de Mateus 18.15;

2) Não vá com muita sede ao pote. “Se és homem de grande apetite, põe uma faca à tua garganta.” (Provérbios 23.2)

3) Não exagere nas postagens: “Não ponhas muito os pés na casa do teu próximo; para que se não enfades de ti…”. (Provérbios 25.17).

4) Ao achar algo interessante, verifique a fonte antes de compartilhar. Uma organização herética, por exemplo, pode criar uma frase ou imagem bonita, e, sem querer, você ajuda a divulgar aquela organização;

5) Não poste algo que, fora do contexto ou não, pode comprometer você ou alguém, no presente ou no futuro. Não poste informação pessoal de alguém sem autorização;

6) Especial cuidado com piadas, imagens e frases com sentido libidinoso;

7) Especial cuidado com mensagens de conteúdo preconceituoso ou ofensivo. O cyberbully é condenável e é crime;

8) Faça muitos amigos, mas não esqueça que você é sacerdote do Rei e está no mundo, real ou virtual, com uma missão;

9) Leia o livro “Mãos Limpas, Coração Puro”;

10) Lembre-se: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (1 Coríntios 10.23)

Juracy Bahia

Metabolismo Espiritual

   Como é feliz o homem que ouve conselhos e que tem bons conselhos para ouvir!

   Em Provébios lemos: “Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio” (Provérbios 19.20). E o Novo Testamento diz: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2.29).

    Esta é uma atitude que precisamos desenvolver, desejar, buscar e guardar palavras que podem nos ajudar. Somos mestres do desperdício também em relação aos conselhos. Perdemos um culto ou chegamos atrasados sem qualquer motivo razoável; deixamos de fazer anotações durante um sermão. Neste mundo em que as informações se multiplicaram, o que Deus fala durante um culto tende a ser apenas mais uma informação.

     Outro erro comum é achar que tudo o que Deus tem para nos dizer Ele nos dirá  pessoalmente. É verdade que a Bíblia mostra Deus falando a indivíduos, mas é muito comum o Senhor falar à Congregação: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18.20). A Interpretação pessoal não substitui a fala de Deus enquanto a congregação está reunida.

Somos mestres do desperdício, inclusive de experiências. “Será em vão que tenhais padecido tanto? (Gálatas 3:4). Nem o burro enfia o pé duas vezes no mesmo buraco, apenas nós o seres humanos. Uma pessoa pode ouvir mil sermões e não mudar em nada, enquanto outra tem sua vida completamente transformada ao ouvir dois ou três sermões. Tudo depende de como assimilamos as mensagens dos céus.

Os que processam bem as experiências crescem o tempo todo. Um desemprego, uma enfermidade, uma desilusão, enfim, tudo é transformado em energia, em aprendizagem, em crescimento. O diabo tem que fugir desses porque quanto mais ele ataca, mais fortes se tornam. São como aquele cavalo que caiu no buraco e que alguém decidiu enterrar vivo: à medida que recebia terra nas costas, ele a sacudia e pisoteava, até poder sair andando livremente.

    Que Provérbios 1.30 não se aplique a mim: “Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha repreensão”.

Presença e ausência

“Não deixes o teu amigo, nem o amigo de teu pai; nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade; melhor é o vizinho perto do que o irmão longe”. (Provérbios 27:10).

O valor da presença está na voluntariedade de quem tem algo a oferecer, seja nas relações amorosas, familiares, profissionais ou mesmo na evangelização. Mas ela também não pode ser em excesso, pois violenta, sufoca, enjoa, inibe a criatividade e a aprendizagem do outro. A carência de presença, por outro lado, pode esmagar, desmotivar ou desorientar. Não permita um tempo muito longo sem algum toque. Preste contas. No erro, confronte o amigo. Estabeleça limites claros. Curta postagens quando realmente forem boas. Demonstre que não está sempre ocupado. Perceba quando sua presença é desejada e fique um pouco mais. Aceite convites. Dê presentes. Reparta. Retorne as ligações sempre. Enxugue a louça enquanto alguém a lava. Deixe as pessoas ajudarem você. Seja organizado para perceber pessoas, coisas ou tarefas abandonadas. Prefira ter amigos em vez de subordinados.

A ausência pode ser ofensiva como a do Filho Pródigo, mas pode também ser didática, desejada, saudável ou uma demonstração de confiança na providência de Deus. Não force as situações como se dependessem exclusivamente de você: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”. Não cole no carro à sua frente. Não ajude o outro a responder a pergunta. Não telefone repetidas vezes. Nunca aborde alguém quando você sabe que o horário é inapropriado. Não conte a mesma coisa duas vezes. Evite falar dos outros. Não seja prolixo. Pregue sermões curtos. Não faça ler ou ver o que você sabe que não é de interesse do outro. Como disse o rei da Espanha, “por que não te calas?” Em vez de pedir que o outro faça algo, esforce-se e aprenda você mesmo a fazer. Não cobre antes que o outro esteja definitivamente atrasado com a tarefa. Não proteja demais. Em lugar de “sim” ou “não”, prefira dizer “você decide.”. Diga com mais frequência: “Eu não sei”. Tire férias de verdade e, se possível, longe. Pare de querer controlar e moldar coisas e pessoas. Dê espaço para o outro dizer “não” e testar uma ideia diferente. Conceda ao outro o direito de ficar sozinho para curtir sua tristeza, refletir ou simplesmente desfrutar o belo. Deixe o tempo fazer o trabalho dele em paz.

Muitas vezes é preciso participar, e não apenas observar. Em muitas outras se exige o contrário. Mas, para ser presente e para estar ausente, é preciso altruísmo. Fazer acontecer, sem ferir desnecessariamente o outro. Conseguir alegrar-se com a vitória da equipe, mesmo estando atrás das cortinas. Administrar o coração ferido quando, ao deixar de usar o poder que tem (escolhendo, nesse caso, a ausência), receber, em troca, desconsideração por parte dos beneficiados.

Juracy Bahia