O Maior de todos os erros

borrachaUm provérbio Chinês diz que “Um erro da largura de um fio de cabelo pode causar um desvio de mil quilômetros”. E se eu cometer o maior de todos os erros?

Jesus Cristo retrata nossa realidade ao afirmar: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22.29). Marcos diz que Ele foi ainda mais enfático: “Por isso vós errais muito”.

Jesus dirigiu-se ao saduceus que afirmavam não existir ressurreição, nem anjo, nem espíritos. Não é engraçado que o homem por conta própria faça afirmações tão enfáticas? Mesmo na igreja primitiva alguém já afirmava categoricamente: “Se não vos circuncidardes conforme a tradição instituída por Moisés, de forma alguma podeis ser salvos!  (At 15.1)”. E os saduceus continuam fazendo discípulos ao longo da história: “Deus é pai e não vai mandar um filho seu para o inferno”, “Peça à mãe que o filho atende”, “De mil passará, a dois mil não chegará”, “Depois que morrer, você terá outras chances”, “todas as religiões levam a Deus” e, a mais recente: “Quem vota no político tal não pode ser crente”. Por que a lista é enorme? Por que queremos falar como se fôssemos Deus?

Religião não é resultado de nossas conclusões, mas de nossa obediência à revelação de Deus, as Escrituras. “Não tendes lido o que Deus vos declarou” (Mt. 22.31). “Os conhecimentos ocultos pertencem a Yahweh nosso Deus: o saber revelado, entretanto, pertence a nós e a nossos filhos, para sempre, a fim de que vivamos na prática de todas as Palavras desta Torá, Lei!” (Dt. 29.29).

Parece que há um saduceu dentro de nós e muitos outros ao nosso redor. O propósito das Escrituras, mencionadas pelo Senhor, não é condenar, é ajudar, e o propósito do poder de Deus não é matar, é empoderar. Não é triste que o homem transforme em motivo de crise os recursos que Deus disponibiliza para nosso benefício?.

Os saduceus estavam face a face com Jesus, a maior novidade da história da humanidade e só queriam defender suas doutrinas. Precisamos muito de gente como William Tyndale para orar “Senhor Deus! Abra os olhos do rei“. Augusto Cury disse que “o ser humano vive encarcerado em sua própria mente, o mais importante dos lugares onde deveria ser livre“. Precisamos estar abertos ao novo que Deus continua nos oferecendo diariamente. As palavras de Oliver Wendell Holmes Sr servem também aqui: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

O Globo, de 08/11/18, conta de Beatriz Carvalho, que faria a prova do vestibular três dias depois. “Ela não consegue calcular troco ao fazer compras, não sabe olhar as horas em um relógio de ponteiro, não faz cálculos mentalmente e não tem noção da diferença entre 3 km ou 300 metros. A matemática é um obstáculo para Beatriz por causa de um transtorno de aprendizagem pouco conhecido: a discalculia. … ou seja, ‘cegueira numérica’”. Um saduceu vive uma crise parecida, exceto que a Beatriz é inocente.

Saulo era cheio de convicções e, derrubado do alto de seu animal, experimentou uma nova convicção, agora não de argumentos, mas a certeza de ser um “vaso escolhido” por Deus. Vai aprender que, por suas convicções, alguém pode matar ou entregar seu corpo para ser queimado, mas se não tiver amor, de nada adiantará. Terá cometido o maior de todos os erros. Jesus parece dizer aos saduceus que o desconhecimento das Escrituras e do poder de Deus são apenas degraus para o maior de todos os erros, o de não relacionar-se com Deus numa experiência de graça: “não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?” Sim, isso mesmo, Abraão é aquele mencionado pelo profeta Isaías: “Você, ó Israel, é meu servo; você, ó Jacó, descendente do meu amigo Abraão, é você quem eu escolhi.” (Is. 41:8)

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O Segredo do Discurso

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“As palavras são os suspiros da alma”. (Pitágoras)

Queriam apanhar Jesus em alguma palavra, mas a resposta calou aqueles espias: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” (Lc. 20.20-26)

Foi nos dado o dom da palavra e o utilizamos mal. Caímos facilmente quando falamos, postamos, compartilhamos ou curtimos; quando confessamos, estabelecemos votos e assinamos documentos. Por que Jesus não caiu? Qual o segredo? 

Tentaram desarmar Jesus com elogios: “sabemos que falas e ensinas bem e retamente“. O mestre, entretanto, devia estar repetindo em sua mente: “O que guarda a sua boca conserva a sua alma” (Provérbios 13:3). Provavelmente, Ele já tinha ensinado a Tiago que “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito”. Dominar o discurso parece ser o rudimento, o começo: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!”  (Tiago 1:26; 3.2). Sem sabedoria, não passamos muito de animais que falam. Jesus diria: amadureça, treine. Senhor, capacita-me.

Jesus invocava mais que a sabedoria, ele mantinha a fonte do discurso, o coração, no céu. Os espias que fingiam ser o que não eram reconheceram a integridade de Cristo: “sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus”.  Posso ser civilizado e ainda não conhecer o segredo do discurso. A boca revela o coração: “Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34). A pergunta era apenas sobre César, sobre pagar impostos; sobre o temporal e o terreno.  Coisa esquisita é ver alguém que vive no terreno questionar o eterno.  Jesus, então, relaciona o temporal com o eterno: “Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Claro, para Ele a vida é muito mais que César. Não se deve dar valor eterno ao que é temporário – gostos ou opiniões; nem dar valor transitório ao que tem valor eterno. Senhor, purifica-me.

Jesus diria ainda: cumpra a vocação do discurso. Com sabedoria e um coração íntegro você pode ser um bom colega, mas ainda não conhece o segredo do discurso. Não somos apenas o único animal que fala, a palavra nos foi dada com um propósito. Jesus ensinava. Se a ordem é falar apenas o que edifica, então o falar tem uma missão. E, se a moeda tinha a imagem de César e, por isso, devia ser dada a César, a minha alma tem a imagem do Criador e, por isso, devo ser entregue ao Criador.  “E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fil 2:11). Senhor, usa-me. Senhor, aceita-me.

Por fim, Jesus mostrou que o segredo do discurso está no poder. “Maravilhados da sua resposta, calaram-se”. Com sabedoria, um coração íntegro e um propósito, podemos ser bons professores, mas ainda não dominamos o segredo do discurso, alcançado somente quando se fala no poder de Deus, como Estevão: “E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava”(At. 6.10). Ele nos capacitou para sermos “ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). Steven L. Pogue disse que “As pessoas não ficam bêbadas segurando latinhas de cerveja ou trabalhando numa loja de bebidas alcoólicas. … Você pode ser um cristão cercado de Bíblias e de outros cristãos e ainda assim não ser cheio do Espírito Santo. Ou você pode estar sozinho, mas cheio do Espírito. Senhor, empodera-me.

Meu pé de jábuticaba

meu_pe-jabuticabaAo ver o meu pé de jabuticaba carregado de frutas, lembrei de sua história sofrida. Um trator o arrancou há anos e o deixou deitado para morrer e secar. Entretanto, a parte das raízes que tinha contato com o chão buscou água para todo o corpo. Crescendo deitado, ele ficou amassado e deformado, mas não deixou de produzir jabuticabas. Essa era a sua missão.

Ao perceber que se recusava a morrer, resolvi plantá-lo em outro local, sem muitas esperanças. Na nova casa, usei esticadores para tentar endireitá-lo, mas as marcas do sofrimento permaneciam. Era como endireitar ossos entortados.

Tempos depois, uma reforma na casa obrigou um terceiro transplante do meu pé de jabuticaba. Parece que a vida escolhe alguns para sofrerem mais que outros. Meu pé de jabuticaba pediu apenas algum tempo para se ajustar e voltou a produzir no seu terceiro campo missionário. Diante de tanta resiliência, compramos novas mudas de jabuticaba. Agora ele podia contar suas histórias para encorajar os companheiros.

Não devemos homenagear aqueles que insistem na vocação, não importando quantas vezes são arrancados de seu conforto?

​Fé para dias trabalhosos

O rei teve um sonho e queria que seus magos dissessem qual foi o sonho e qual a interpretação dele. Caso contrário, mataria todos eles. Claro, o caos estava instalado (Daniel 2.16-23). Quem tem poder e não tem temor costuma fazer essas maluquices. Também em nossos dias. Com muitos recursos e pouca reverência, chegamos aos “dias trabalhosos” de 2 Tm. 3.1. Precisamos como nunca de crentes com a fé tipo a de Daniel.

Uma fé sustentada pela autoridade moral de um caráter irrepreensível. Quando soube da ordem do rei de matar a todos os sábios do palácio, pediu uma audiência e foi imediatamente atendido (Dn. 2.16). Nenhum outro assessor conseguiria isso. Verdade, muitas vezes a honestidade religiosa salva a nossa pele, e a de outros.

Foi para casa orar e pediu seus amigos que orassem com ele (v. 17). Ele tinha que ficar sozinho, com Deus e com seus amigos de oração. Isso era um hábito (Dn. 6.10). É maravilhoso quando nossa casa é um santuário. Então, em contraste com os muitos religiosos da sua época, Daniel buscou o “Deus verdadeiro, Deus de nossos pais, Deus dos Céus”.

Daniel era metódico, disciplinado e cheio de boa reputação, mas percebeu que agora estava diante de um assunto espiritual, e que seria resolvido espiritualmente. A pedra que quebrou a estátua do sonho do rei caiu “sem auxílio de mãos” (v. 34). O que ocorre hoje em dia é que os crentes querem passar no concurso ou nos jogos com oração e querem fazer a igreja crescer com estratégias humanas.

Daniel sabia que seu destino estava atrelado ao dos outros. Não se isolou. Sua missão era salvar a todos. Jeremias já tinha ensinado: “busque a paz da cidade, porque na paz dela você terá paz” (Jr. 29.7) Aconteceu o mesmo com a rainha Ester (4.13-14).

Por fim, Daniel reconhecia rapidamente o movimento de Deus e isso explodia nele um espírito de gratidão. Ele gritava “foi Deus”. “Eu te louvo” (Dn. 2.19-23). Sim, voltar para agradecer é esperado de todos os que são por Ele tocados.

Denoimpresa

As igrejas batistas defendem a “autonomia da igreja local”. Isto significa que um grupo local de crentes toma decisões sem a interferência de outras pessoas ou instituições. Algo muito bíblico e saudável, especialmente para fomentar novas lideranças. Serve também como prevenção no caso de perseguição religiosa. Desde Jerusalém as decisões eram do colegiado local, algo tipo: “pareceu bem a nós e ao Espírito Santo” (Atos 15.28). Essas igrejas são dirigidas pelo Espírito Santo e pelo espírito democrático,  algo divino, de cooperação, que cresce naturalmente. Elas levaram o Evangelho ao mundo inteiro e permanecem vivas como igrejas do Senhor.

Porém, como no paraíso surgiu o pecado, neste colegiado de homens e Deus cresceu o isolamento. Os pastores aprenderam que ninguém manda neles. Não prestam contas e criaram superestruturas denominacionais, com o acréscimo de uma cabeça jurídica e outra contábil. As conclusões passaram a ser  descritas como: “não pareceu bem, nem a nós e nem ao Espírito Santo”. Criamos algo humano, burocrático e travado.

Incomodados, alguns valentes tentaram reagir e criaram a Deno-i-mpresa, com três cabeças, uma de denominação, outra de igreja e outra de empresa. Chamam as outras igrejas de irmãs, mas agem como uma denominação independente. Na hora de recolher dízimos, são igreja; na tomada de decisões e no marketing, são empresa. Conseguem grandes avanços e uma sensação de “parece bem a nós”. Dirigidos pelo espírito colonizador, adotam um sistema mundano, o da concorrência.

Por fim, o Verdadeiro Senhor das igrejas volta e retira os seus discípulos das três igrejas. O pastor da primeira está feliz, pois vai continuar sendo um servo. O pastor da igreja burocrática está constrangido, ao perceber que perdeu tempo com bobagens. O pastor da Denoimpresa sente-se culpado; percebe que, na sua garra, extrapolou.

Como o Senhor ainda não voltou, as igrejas podem aprender umas com as outras. Claro que irão experimentar dor, seja pela mudança e crescimento, seja pela mutilação. A todos o Espírito diz: a Igreja foi projetada para ter uma única Cabeça: o Cordeiro que foi morto e reviveu, e que voltará. Somente assim experimentarão novamente o fator colegiado: “parece bem a nós e ao Espírito Santo”.

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos… irreconciliáveis” (2 Timóteo 3:1,2)

Bauernfest de Petrópolis, Orgulho e Tristeza

A Bauernfest de Petrópolis, com seus 29 anos, é considerada a segunda maior do gênero e é maravilhoso ver as danças e desfiles folclóricos, tomar o chocolate, sentir a festa e a temperatura. Há muitos motivos para deixar os visitantes boquiabertos.

É muita coisa linda e um ponto destoando: o uso abusivo do álcool. Mesmo que se respeite o direito do adulto à bebida alcoólica, não se ganha nada permitindo a transformação da Festa do Colono em uma Festa da Cerveja. Alguém deveria ter orgulho de disputar ou assistir um concurso de chopp em metro? Não seria até mesmo maligno exibir e vangloriar-se daquilo que destrói as pessoas?

As Igrejas combatem os vícios não com a arrogância de quem não erra, mas com a experiência de quem aprende. No passado, elas já apoiaram quem explorava o fumo, por exemplo. Entretanto, conscientes do seu malefício, passaram a evitá-lo e a combatê-lo, como fazem há décadas com a bebida alcoólica. O triste é que o Ministério da Saúde demora para aproveitar a experiência das igrejas. E o povo leva outras décadas para perceber que o Ministério da Saúde tem razão.

Com essa ressalva, vale a pena prestigiar a Bauernfest. Viva a alegria, a hospitalidade, a memória do colono, a barraquinha de comida típica alemã, as apresentações de grupos. Viva Petrópolis, hospitaleira, alegre e segura. E cada dia, melhor.

 

Tristeza Boa

Tristeza Boa – Atos 11.18

E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. (Atos 11.18)

Há alegrias que resultam em tristezas e tristezas que produzem alegrias. A dor, por exemplo, é boa porque mostra que algo está errado e algo precisa ser feito.

“E, ouvindo estas coisas…”. A Palavra de Deus tem o poder e propósito de provocar o arrependimento, que é sempre doido. Foi assim com Davi quando confrontado por Natã, foi assim com o povo de Nínive e pode ser assim conosco.  O texto mostra, inclusive, que o arrependimento que vem de Deus é motivo de louvor. 

Quando o arrependimento realiza todo o seu propósito, ele nos transforma em pessoas melhores. Não é o pecado que nos faz mais humanos, é o arrependimento. O erro nos faz apenas mais acusadores. 

Entretanto, o maior valor do arrependimento é nos fazer dar um salto para a vida eterna. “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação”. (2 Coríntios 7:10)

Spurgeon falou que o arrependimento que leva à salvação é um ódio ao pecado e uma determinação na força de Deus para abandoná-lo. Então, temos que nos esforçar para ver o pecado como Deus o vê. Nada menos.

Como a tração em um arco gera enorme desconforto, mas é necessária para que a flecha cheque ao  destino desejado, curvemo-nos o necessário para fazer chegar a Deus o nosso “Perdoa-me, Senhor”

Sermão no Youbube: https://www.youtube.com/watch?v=HaFYlGuSbng

“Perdoa-me, Senhor” HCC 275

  1. Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,

Se em meu agir o teu amor também não refleti.

Perdoa-me, Senhor, se em teu caminho não segui,

Se falhas cometi, se tua doce voz não quis ouvir.

Escuta minha oração, Senhor,

desejo aqui viver pra teu louvor;

Ensina-me a te ouvir e com amor servir

e os santos passos teus aqui seguir.

 

  1. Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,

Se em meu caminho escuro tua luz não procurei;

Perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,

Se eu não te sondei, se teu querer pra mim não procurei.

Escuta minha oração, Senhor,

desejo aqui viver pra teu louvor;

Ensina-me a voltar e junto a ti estar

e em tua graça sempre confiar.

 

  1. Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,

Se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;

Perdoa-me, Senhor, se os campos brancos eu não vi,

Se só pra mim vivi, se meus talentos não desenvolvi.

Escuta minha oração, Senhor,

desejo aqui viver pra teu louvor;

Ensina-me a agir e meu dever cumprir

e frutos dignos dedicar a ti.

Não bata em pastores

No período de Natal e Ano-novo, demonstramos nosso lado gentil. Mas não tem sido assim durante os outros dias do ano. Na rotina da vida ministerial, temos visto, com tristeza, atitudes belicosas, indelicadas e injustas para com os homens de Deus.

Alguns midiáticos gostam de bater nos pastores e nos líderes de Denominação. Isso ficou bem mais fácil com os blogs e as redes sociais; basta uma postagem, a portas fechadas. Comentam sobre a Denominação, a política e os assuntos do momento. Se os líderes emitem uma nota sobre uma tal mostra de arte, sobre uma determinada emissora de TV ou seja lá o que for, os xerifes de plantão entram em ação. Se esses mesmos líderes não agem assim, igualmente levam uma surra na Internet. Se a igreja do colega ascende, o líder apanha. Se decresce, ele apanha também. Mais cedo ou mais tarde, todos apanham. Quando morei em Conselheiro Pena, ouvi sobre um zombador que passou o dia cantarolando pelas ruas “Quem mora em Conselheiro pena; quem dorme em Conselheiro pena; quem trabalha em Conselheiro pena”. No fim do dia, cansados das piadinhas, alguns jovens agarraram o trocista num canto e deram-lhe uma surra, enquanto cantavam: “Quem apanha em Conselheiro pena”. Verdade, quem muito bate acaba apanhando…

Podemos admitir que um teórico bata em outro teórico no campo acadêmico, por exemplo, na confrontação de ideias. Difícil é ver teóricos batendo em quem está trabalhando duro. O apóstolo Paulo diria:  “Não achem que são sábios apenas porque acompanham o noticiário….” (I Cor. 3.18 – A Mensagem). Parafraseando outro dito do apóstolo, podemos afirmar: “quem não trabalha que também não critique”. E, sejamos práticos,  essa turma “pé de boi” morre pelo que entende ser a vontade de Deus. Portanto, quem realmente deseja ajudar precisa estar em nossas reuniões, opinar olhando em nossos olhos e ouvir, também, o contraditório que tanto invoca. Sejamos reverentes com quem visita hospitais, planta igrejas, leva pessoas a Jesus, administra – sem dinheiro – os assuntos da Igreja e sofre pelos desanimados. Deixemos, nesses casos, que defendam família com pai, mãe e filhos, discordem ou concordem do pastorado feminino etc.

Não bata publicamente, especialmente se você ainda não o fez em particular. Certa vez, ouvi uma denúncia contra um pastor. Perguntei à pessoa se ela estava disposta a ir comigo falar com o acusado. Diante da negativa, eu lhe disse que iria considerar a acusação uma mentira. Imagino que passou a pensar duas vezes antes de acusar outros pastores. Vamos, todos, evitar questionar as motivações dos pastores e levar muito a sério o princípio por trás da afirmação “não aceite acusação contra um presbítero se não houver duas ou três testemunhas” (I Tm. 5.19).

Claro que não devemos fazer “vista grossa” aos erros dos pastores. Muito ao contrário. Podemos confrontá-los em particular, conforme Mateus 18.15; se não funcionar, podemos fazer uma denúncia formal à comissão de ética e, se for o caso, oferecer sugestões para o aperfeiçoamento do Código de Ética. Mas, se vamos formalizar denúncias, devemos começar denunciando formalmente os belicosos, iracundos e os amantes de contendas. Estes, pelo que a Bíblia orienta, não podem exercer o ministério.

Conheço alguém que, no caso da ordenação feminina, era radicalmente defensor de um lado e, hoje, se coloca enfaticamente do outro lado. Não vale a pena bater em pessoas por causa de ideias que podem ficar desatualizadas. Um amigo meu gosta de dizer que as relações devem ser mais importantes que as razões.

Você faz parte daqueles que estão ajudando o Rei. Seus colegas também. Deixemo-nos influenciar pelo nosso chamado e pela nossa determinação de deixar um legado. Quando destacamos as belezas de nossos colegas, inspiramos outros a desejarem seguir para o ministério. Quando os criticamos, fazemos o contrário. E, por favor,  nunca critiquemos um pastor perto de seus filhos ou de suas ovelhas, ou em qualquer meio a que eles possam ter acesso.

Vamos reler nossas postagens e conferir se há chamadas para a devoção sincera, se elas destacam como é linda a Igreja do Senhor e como é nobre o ministério, se exaltam a importância de missões, da fraternidade, da unidade ou se encorajam quem está “ralando” muito.

Participando de perto das turmas de mentoria, observo que, em qualquer pequeno grupo de pastores que convivem por apenas oito dias, eles acabam se tornando bons amigos. As diferenças são reduzidas e/ou compreendidas. A verdade é que somos mais cúmplices do que aparentamos nas redes sociais. Por vezes, estamos brigando como brigávamos quando crianças, até que um menino malvado da vizinhança vinha e batia em nosso irmão caçula. Então, as nossas diferenças eram esquecidas.

“Seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão (Romanos 14:13). “Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama ‘hoje'” (Hebreus 3:13).

Juracy Carlos Bahia (Quando presidente da OPBB)

Apascente minhas ovelhas

Em João 21.15-22 lemos uma impactante entrevista de Jesus com Pedro. “Você me ama?”, questionou Jesus três vezes. Mediante a resposta afirmativa, Jesus acrescentava: “Alimente meus cordeirinhos, apascente minhas ovelhas, alimente minhas ovelhas”. Isso ocorreu depois do aconchego da refeição, necessária depois de uma noite inteira e infrutífera no mar.

Certamente que o desafio lançado por Jesus a Pedro serve para todos os crentes. Não é maravilhoso que possamos receber tarefas diretamente do Senhor? Ele providencia trabalho para todos. Ele sabe que precisamos disso. Ninguém sai diante dele com as mãos vazias, sem um desafio. Não há discípulo sem missão. Depois de Atos 2, que cumpriu Jeremias 31.34, já não dependemos tanto de coordenação humana para servir a Deus. Deus não nos poupa do trabalho porque somos jovens ou velhos, preparados ou não, nem mesmo quando estamos deprimidos. Veja o caso de Elias. Na verdade, as tarefas que Jesus nos dá ajudam na cura da nossa dor.

No livro A Dádiva da Dor, a esposa do dr. Paul Brand, hospedou um jovem leproso que, expondo seus filhos à doença. Quando o marido chegou preocupado, três dias depois, ela disse que naquela manhã tinha lido Mt 25. 35,36. Ela tinha ouvido uma ordem diretamente de Jesus.

Sentir o comissionamento de Jesus é uma questão relacional: “já que você me ama, alimenta minhas ovelhas”. Quando confessamos nosso amor a Jesus, recebemos ordens e, então, descobrimos mais sobre Ele mesmo.  “É o Senhor“,  perceberam os discípulos, quando obedeceram à ordem de lançar a rede para o lado direito do barco.

Receber uma missão de Cristo é maravilhoso também porque significa que Ele nos perdoou os pecados e nos oferece uma nova oportunidade. Depois de negar a Jesus três vezes, era muito importante para Pedro receber uma nova ordem do Senhor. Significava que o relacionamento estava sendo restaurado.

Enquanto muitos crentes vivem uma crise para entender o que Deus quer, aprendemos que a missão é construída no relacionamento com Deus. Ele não quer dar ordens a escravos, mas a amigos. Pode ser que Ele não esteja nos cobrando mais resultados e sim mais comunhão com Ele.

Sentimos um vazio em nossos ministérios quando paramos de ouvir novas ordens do Senhor. Então, busquemos a Deus até recebermos uma missão, oremos até ouvir de Deus um novo desafio. “Clama a mim e eu te responderei e te mostrarei coisas ocultas e grandes que ainda não sabes” (Jer. 33.3).

Outros crentes muito esforçados querem controlar coisas, igreja, ministérios. Jesus não disse “apascenta tuas ovelhas”, mas “minhas ovelhas”. A Obra é do Cristo. Você não tem o controle, não tem a propriedade e não tem o poder. Apenas coopera. Jesus bateu pesado no Pedro preocupado com o outro discípulo: “Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?” João 21:22.

“Alimenta meus cordeirinhos…Segue-me tú”.  Definitivamente, Jesus não se entusiasma quando ficamos cuidando do serviço do outro. Veja o caso de Marta e Maria. E não é isso que fazemos muitas vezes? Precisamos nos concentrar no que o Senhor espera de nós, seja a missão de vida, sejam tarefas do dia. Coloquemos o foco em nosso dever.

Não é preciso nem mesmo ficar preocupado com o status do trabalho. Se é para Jesus, não há serviço pequeno, seja dar mamadeira para os filhotes das ovelhas ou apascentar o rebanho.

Isso nos faz menos responsáveis? Em algum sentido, sim. Você não é responsável pelo resultado e não tem que lutar com a culpa de um trabalho que produz pouco, desde que tenha sido ordenado por Cristo. Não tem que disputar com os homens e não tem que disputar com o Cristo. Achamos que glorificamos a Jesus quando estamos cheios da força de nossa juventude, mas Jesus disse que Pedro iria glorificá-lo quando morresse. Não controlamos nada mesmo.

Seus fracassos e os outros – Parte 2

Gostamos de culpar os outros pelos nossos fracassos, mas só podemos mudar a realidade a partir de ações que estão ao nosso alcance:


Não perca a esperança. As pessoas apreciam aqueles que se levantam e prosseguem após as quedas.
Evite depender da iniciativa de outros, especialmente dos fracassados. Procure estabelecer planos que dependam mais de seu próprio esforço com a ajuda de Deus.
Não gaste tempo preparando desculpas. As pessoas não querem ouvir explicações de quem se considera uma vítima.
Viva por algo maior: fazer alguém feliz, temer a Deus, construir algo de valor perene etc. As pessoas não respeitam quem vive apenas em função de si mesmo ou do que os outros pensam.
Não deixe de pedir perdão. As pessoas podem escrever uma nova história a seu respeito.
Em resumo, não desista.